Sacerdote afirma que grupo evangélico orientou pessoas em situação de rua a recusarem comida alegando que oferta seria “amaldiçoada”; Instituto CEU Estrela Guia fala em “deslegitimação da fé”.
SÃO PAULO – O que deveria ser um momento de assistência e solidariedade na Praça Fernando Costa, no centro de São Paulo, transformou-se em um cenário de conflito religioso na última terça-feira (27/1). Voluntários do Instituto CEU Estrela Guia, projeto comandado por umbandistas, relataram que a distribuição diária de refeições para pessoas em situação de rua foi alvo de tumulto e interferência por parte de cerca de 10 integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus.
O Conflito: “Comida do Diabo”
De acordo com os relatos, os integrantes da instituição evangélica estavam posicionados em uma tenda em uma rua paralela. Segundo o sacerdote de umbanda Pai Denisson D’Angiles, o grupo teria orientado os cidadãos em situação de rua a não aceitarem as doações dos umbandistas, sem, contudo, oferecer uma alternativa imediata de alimento.
O argumento utilizado pelos evangélicos, conforme a denúncia, foi de cunho discriminatório: alegaram que a oferta consistia em comida “amaldiçoada” e “do diabo”. Para Pai Denisson, que também integra o Conselho Municipal de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa (Complir) da Prefeitura de SP, o episódio é um caso claro de intolerância religiosa.
A Defesa da Liberdade de Crença
O Instituto CEU Estrela Guia atua no local designado pela gestão municipal para a distribuição de alimentos. Em nota, a instituição destacou que a intolerância se manifesta de formas sutis antes de se tornar agressão física. “Ela nasce, muitas vezes, no comentário disfarçado de ironia, no julgamento maquiado de orientação, na tentativa de deslegitimar a fé do outro”, afirmou o comunicado.
Resposta da Universal
Procurada para prestar esclarecimentos, a Igreja Universal afirmou que não compactua com práticas discriminatórias. A instituição também informou que, a partir deste mês, iniciou sua própria iniciativa social na mesma região mencionada, o que teria colocado os dois grupos no mesmo raio de atuação simultaneamente.
Radiografia do Incidente
| Ponto de Conflito | Versão dos Umbandistas (Instituto CEU) | Versão da Igreja Universal |
| Ação | Distribuição autorizada de refeições. | Início de iniciativa social própria na região. |
| Denúncia | Coação para recusa de alimentos e ofensas religiosas. | Nega compactuar com práticas discriminatórias. |
| Impacto | Tumulto e prejuízo ao atendimento social. | Atuação assistencial regularizada. |
| Status Legal | Denúncia levada ao Conselho de Liberdade Religiosa (Complir). | Manutenção do projeto social no local. |


